Holocarmalogia

Quando ressomamos (reativamos um soma, renascemos), estamos tendo mais uma vez a oportunidade de superar nossas dificuldades, de aprimorar aquilo que já temos alguma desenvoltura e de desenvolver novas habilidades. Porém, ao que tudo indica, parece haver uma conexão lógica entre os nossos objetivos nesta vida e as pessoas com quem interagimos. Somos todos seres em evolução e é razoável pensar que já estamos ressomando há muitas vidas. Assim, é grande a chance de já termos convivido em vidas passadas com as pessoas com quem interagimos hoje. É frequente conhecermos alguém e termos uma rápida afinidade. O contrário também ocorre, podemos conhecer alguém e não sentirmos empatia ou pontos em comum, mas pelo contrário, características opostas que parecem nos colocar em um conflito íntimo, como se quiséssemos evitar tal convivência. Esses são apenas exemplos de indicadores sobre a qualidade das relações que tivemos com essas consciências em vidas passadas. Pode ser que tenhamos prejudicado alguém ou tenhamos sido prejudicados, assim como é possível que tenhamos ajudado e termos sido ajudados também. A vida atual é oportunidade para escolher as ações do presente, alterando o curso dos acontecimentos futuros e melhorando o saldo dos vínculos com outras consciências. Ressomar em uma dada família, em uma determinada cidade, convivendo com grupos específicos e em uma época definida, parecem ser apenas o pano de fundo para que consigamos evoluir e sair desta vida em condições melhores do que quando entramos. Embora do ponto de vista intrafísico uma vida de 85 anos pareça ser uma vida longa, do ponto de vista evolutivo é apenas um breve período em uma extensa sequência milenar de vidas. Durante o período intermissivo (período entre vidas), dependendo do nível evolutivo, a consciência pode não apresentar lucidez para aproveitá-lo de modo produtivo, ficando em estagnação evolutiva temporária. Quando mais lúcida, a exemplo do intermissivista (que participa de curso preparatório antes de ressomar, visando otimizar sua programação existencial), mais a consciência pode avaliar o próprio progresso e planejar os próximos passos no período vindouro. A este ciclo composto por ressoma, dessoma (desativação do soma) e período intermissivo, denomina-se Ciclo Multiexistencial Pessoal. Fato é que somos o resultado da soma de todas as nossas vidas. O modo como nos manifestamos hoje, com nossos talentos e com as nossas dificuldades, foi originado de acordo com as escolhas que fizemos em vidas passadas, escolhas estas, baseadas em nossa lucidez do momento evolutivo, em nossa capacidade de superar ou não a nossa mesologia e de lidar com os nossos recursos físicos, energéticos, emocionais, mentais e parapsíquicos. Ao que tudo indica, parecemos viver sob determinadas leis cósmicas. Toda ação gera uma reação. Realizações essencialmente interassistenciais geram saldo positivo e maior liberdade de ação, enquanto que ações anticosmoéticas geram débitos com outras consciências e menos liberdade de escolha. Por esta lógica, muitas das dificuldades pelas quais passamos hoje podem ter origem em nossos atos do passado; da mesma maneira, muitos dos aportes existenciais que cada consciência tem hoje podem ser conquistas advindas de outras vidas. A lei de causa e efeito parece influenciar nossos processos evolutivos. Sob o ponto de vista da Cosmoética, não há castigos nem recompensas, apenas a lógica evolutiva geradora de certas consequências, no conjunto de ações multidimensionais da consciência. Do ponto de vista didático é possível compor nossos saldos evolutivos, ou a nossa conta corrente cármica em três contas distintas: o egocarma, o grupocarma e o policarma. O conjunto dessas três contas é denominado de Holocarma. A conta corrente egocármica é representada por todas as ações que dizem respeito ao ego ou à própria consciência. São os atos que a consciência faz a favor ou contra si mesma. Quando a pessoa busca se entender, faz esforço sincero para melhorar, ela está melhorando seu saldo nessa conta. Quando ela faz autossabotagem, minando sua autoestima, fazendo autoinculcação ou desperdiçando uma oportunidade evolutiva, por exemplo, ela está piorando seu saldo nessa conta. A conta corrente grupocármica diz respeito ao convívio com as demais consciências com quem interagimos, seja de nossa família nuclear, nossos amigos e pessoas com quem convivemos no trabalho, na vida atual e em todas as vidas anteriores. Pode-se dizer que, em geral, as consciências com quem nos encontramos e convivemos por mais de uma vida fazem parte do nosso grupocarma multiexistencial, ou seja, não é a primeira vez que convivemos com essa pessoa, se considerarmos as vidas anteriores. Sob esse ponto de vista, nosso grupocarma envolve muitas milhares de pessoas, podendo chegar a milhões de consciências, muitas delas atualmente na condição de consciexes. O desempenho evolutivo da consciência frente aos grupos com os quais ela convive ao longo das vidas afeta diretamente o saldo da sua conta grupocármica. A cada vez que ajudamos ou prejudicamos alguém com quem convivemos (mesmo um conhecido distante, ou um desafeto), estamos melhorando ou piorando nosso saldo com relação a essa pessoa, e a conta corrente grupocármica engloba todas essas relações. Uma terceira conta corrente, ligada à coletividade mais ampla, é chamada de conta corrente policármica. Para movimentar sua conta corrente policármica a consciência precisa exercer algum tipo de liderança em alguma área, de algum modo impessoal, que não seja apenas limitada a um grupo de pessoas vinculadas a ela. Se a liderança for patológica, a exemplo de líderes que levaram povos a guerras evitáveis, ou políticos e empresários que colocam o interesse financeiro pessoal à frente do bem da população, usando meios anticosmoéticos, o saldo da conta corrente policármica será negativo, podendo exigir grandes esforços futuros para ser saldado. Já as consciências mais maduras, que exercem liderança cosmoética, agindo em benefício da humanidade, mantêm a conta corrente policármica com saldo positivo, e em constante atividade, deixando de priorizar as contas grupocármica e egocármica. Do ponto de vista prático, quanto maior o saldo positivo policármico de uma consciência, em melhores condições evolutivas ela se encontra. A assistência promovida por um livro tarístico pode chegar a pessoas além do nosso grupocarma, sendo uma assistência policármica. A tenepes começa assistindo ao egocarma, passando ao grupocarma, e depois, já na condição de veterano, pode alcançar o policarma. O desenvolvimento da cura para uma doença é outro exemplo de assistência policármica. Conforme evoluímos em relação aos grupos com os quais convivemos, conseguimos notar 5 fases bem definidas, descritas a seguir: interprisão grupocármica (na qual a consciência ainda está ligada a grupos que cometem ações anticosmoéticas, e não consegue vislumbrar nada além de seus próprios interesses limitantes); vitimização (na qual a consciência passa a duvidar do acerto de suas escolhas e passa então a se tornar vítima da própria máquina anti-social que ajudou a criar); recomposição (na qual a consciência deixa de ser vítima direta para então atender às suas antigas vítimas); libertação (na qual a consciência já consegue enxergar luz no fim do túnel e passa a viver trechos de maior alívio das pressões assediadoras, muitas vezes seculares); e a policarmalidade (na qual a consciência já não pede mais para si; a Terra se torna uma escola evolutiva e a consciência quer cooperar, não desejando apenas aprender, mas ensinar o que pode). Um dos motivos pelos quais ainda nos prendemos à consciências e situações passadas é o fato de não conseguirmos superar desavenças e faltas que foram cometidas contra nós no passado. Da mesma maneira que erramos em diversas circunstâncias, outras consciências também erraram conosco. Se prender indefinidamente a tais fatos nos faz perder tempo, energias e agrava ainda mais nossas ligações com tais consciências. Embora difícil, o perdão parece ser também a atitude mais coerente e libertadora a ser tomada. Não precisamos nos preocupar em “realizar a justiça”. Para isso já há princípios inteligentes que parecem governar as leis cósmicas. É mais inteligente nos ocuparmos apenas em ajudar a quem pudermos e em superar nossos próprios desempenhos evolutivos, procurando nos aproximar de condições mais avançadas que realmente nos tragam a sensação de manifestação plena. O segundo passo é saber se reconciliar. Perdoar significa ter imperturbabilidade e compreensão na lembrança de atos anti-cosmoéticos feitos contra si no passado; reconciliar significa restabelecer a convivência de maneira pacífica e harmoniosa com antigos desafetos do passado e se necessário, auxiliando-os na eliminação de possíveis autoculpas. Superar diferenças antigas e fazer as pazes traz alívio para todas as partes envolvidas. Quando a consciência consegue superar as dificuldades do passado, passa a vislumbrar uma condição de agradecimento pelo o que já recebeu. A gratidão é a postura das consciências que reconhecem o esforço de consciências mais evoluídas em lhe auxiliarem no contínuo processo evolutivo. Agradecer é ter consciência de que estamos de passagem e de que viver é uma oportunidade para melhorarmos a nossa condição e a de outras consciências com as quais temos ligação. Visto dessa forma, deixamos de reclamar por causa dos pequenos contratempos pois sabemos que tudo é pequeno demais frente às possibilidades que temos neste momento de fazer diferente, de fazer melhor do que já fizemos anteriormente. E então, a consciência passa a desenvolver o sentimento de retribuição, com a adoção de uma postura pró-ativa, típica de quem quer colaborar pois entende ser essa a melhor opção para a evolução de todos. Essa postura nos aproxima de consciências mais evoluídas, pois estas já compreenderam esta lógica e já estão a serviço do trabalho interassistencial há mais tempo. Sob esse ponto de vista, a implementação do perdão, da reconciliação, da gratidão e da retribuição parece nos ajudar a aumentar o saldo positivo de nossas contas holocármicas e progredir rumo a novos patamares evolutivos. Você se recorda de situações em que tenha se utilizado do perdão, da reconciliação, da gratidão e da retribuição? Se recorda dos resultados que obteve?

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