Interassistencialidade

A palavra interassistência já denota em sua definição uma ação conjunta, explicitando uma via de mão dupla entre duas consciências. Mesmo que uma das consciências esteja mais lúcida no processo da assistência, ela também pode ser assistida, de diversas formas. Uma delas se dá através da oportunidade de melhorar suas relações e seus rastros provenientes do passado. Além disso, participar de uma assistência é uma valiosa chance de reciclar traços que podem já estar ultrapassados (por exemplo quando somos confrontados com uma situação que ainda nos incomoda). Ainda, a consciência assistida pode ensinar através de suas experiências e exemplos. Desta forma, é importante notar a profundidade do processo interassistencial. Muito mais do que uma doação de apenas um dos lados, a interassistência pode ser vista como uma troca de conhecimentos e experiências, contribuindo na evolução de todos os envolvidos. Dentre os tipos de tarefas interassistenciais, dois tipos principais se destacam: a tarefa da consolação (tacon) e a tarefa do esclarecimento (tares). Contudo, sob o ponto de vista prático, há diferenças significativas entre elas. A tacon, ou tarefa da consolação, é uma tarefa mais simples e mais fácil de ser executada, visando o bem estar imediato porém não duradouro. Por exemplo, dar a comida a alguém que precisa, ou confortar alguém em situação emocionalmente frágil. Um exemplo de tacon é auxiliar financeiramente e repetidas vezes uma conscin que sempre se envolve em dificuldades financeiras, sem ajudá-la a entender porque ela se encontra naquela situação. Por outro lado, a tares, ou tarefa do esclarecimento, é uma tarefa mais difícil e mais antipática de ser realizada. Um exemplo de tares é ensinar educação financeira à consciência que frequentemente se encontra em problemas financeiros. Outro exemplo é ensiná-la os conceitos de bioenergias para que ela possa promover o autodesassédio. Ou ainda oferecer ideias concretas à conscin que necessita desenvolver sua autoconfiança para que de fato ela consiga superar suas dificuldades (como por exemplo, valorizar seus traços mais positivos e enfrentar seus traços mais patológicos). O principal objetivo da tares é eliminar as possibilidades de automimeses (autorrepetições) existenciais dispensáveis. Contudo, independente de qual tarefa assistencial é mais indicada em cada caso, o que realmente importa é desenvolver a assistencialidade e estar preparado(a) para utilizar ambas nas oportunidades que se apresentem. As tarefas interassistenciais podem ser qualificadas de acordo com o nível de autoconsciência empregado. Nesse sentido, vale aprofundar o conceito da cosmoética. A cosmoética representa o estudo da ética ou a reflexão sobre a moral cósmica, multidimensional, definindo a holomaturidade consciencial, situada além da moral social, intrafísica, ou aquela apresentada sob qualquer rótulo humano, com discernimento máximo, a partir do microuniverso de cada consciência. Vale a pena ressaltar a diferença entre ética e moral. Ética é o conjunto de costumes de um grupo de consciências, os princípios que regem seu comportamento em sociedade (quero, devo, posso). Moral é a aplicação de tais princípios na prática (através da decisão, avaliação e julgamento). Do ponto de vista intrafísico, um costume pode ser entendido como normal em uma sociedade e inaceitável em outra. Contudo, do ponto de vista multidimensional e cósmico, não há contradições, apenas as leis evolutivas comuns a todas as consciências. A unidade de medida da cosmoética é a incorruptibilidade. A autocorrupção consiste na insistência da consciência em manter certas posturas as quais já sabe não serem as corretas. É o caso, por exemplo, da consciência que já conhece a multidimensionalidade, mas insiste em manter sua vida dentro da rotina materialista e dogmática. A cosmoética, quando vivenciada, é a melhor autodefesa. Assediadores não conseguem se sustentar quando entram em contato com o holopensene de uma consciência cosmoética. Os princípios cosmoéticos muito ajudam a consciência a tomar decisões quando se encontra em uma situação onde há a possibilidade da aplicação da economia de males e da economia de bens. Segundo a lei da economia de males, entre 2 males inevitáveis, escolha sempre o menor. Segundo e economia de bens, mais vale 1 ação concreta e acertada do que várias ações dispersas e sem resultado. Certamente, para cada uma das situações, o discernimento, a cosmoética e a visão de conjunto influenciam, assim como o conhecimento da multidimensionalidade e dos parafatos. Dentro da cosmoética, vale aprofundar o conceito da intencionalidade. Aquilo que pensamos no dia a dia, independente daquilo que fazemos, demonstra de fato quem somos. Na dimensão intrafísica é possível dissimular os pensamentos e sentimentos em ações contraditórias. Contudo, fora do corpo tal dissociação entre pensamento e ação não é possível. A pensenidade da consciência se aflora de maneira clara, a qual não consegue esconder suas reais intenções. Para a consciência interessada em trabalhos interassistenciais, desenvolver sua intencionalidade sadia apenas facilitará a sua aproximação com o padrão pensênico dos amparadores – consciências mais evoluídas e mais lúcidas quanto ao processo evolutivo. Além da cosmoética, outro qualificador do processo interassistencial é o emprego dos sentimentos mais evoluídos. Entre esses sentimentos, destaca-se o maxifraternismo. Em nossas histórias, por mais distantes que possamos estar de outras consciências (seja por exemplo, através das ressomas em épocas diferentes), não perdemos ninguém, assim como não somos abandonados. Vivemos sob o contexto da interdependência. Todos nos encontraremos mais cedo ou mais tarde. Assim, faz-se necessário compreender a força do entendimento, do amor e do perdão. Ao que parece, no processo evolutivo todos temos contas correntes cármicas, que movimentamos ao modo de uma conta bancária. Temos contas correntes relacionadas a nós mesmos (egocármica), às consciências do nosso grupo evolutivo (grupocármica) – que inclui as pessoas mais próximas (família, amigos e trabalho), desta vida e de vidas anteriores – e à coletividade em geral (policármica), correspondente às consciências com as quais não tivemos convivência mais próxima. Quanto mais assistência fazemos, mais créditos depositamos na respectiva conta; quanto mais atos anticosmoéticos cometemos, mais débitos contraímos. O saldo de cada uma dessas contas definirá nossos aportes e possíveis limitações nesta e nas próximas vidas. Essas contas são estudadas com mais profundidade dentro da especialidade da Holocarmalogia. Outro atributo qualificador do processo interassistencial é o universalismo, o qual nos ajuda a enxergar a nossa condição evolutiva como um grupo e não apenas individualmente. O universalismo é representado pelo sentimento fraterno em relação às outras consciências, independente de raça, sexo, idade, religião, posicionamento político, cultura, localidade, condições sócio-econômico-financeiras e espécie. Vale lembrar que a consciência não tem sexo, nem raça, nem outros estereótipos para a definir. Ressomamos em contextos, culturas e países diferentes durante o nosso processo evolutivo, assumindo papel de homem e de mulher, de acordo com as nossas necessidades evolutivas. Seguem exemplos de universalismo aplicado na prática.

  • A Declaração dos Direitos Humanos;
  • A Organização das Nações Unidas (ONU) e demais organismos supranacionais (UNESCO, UNICEF, OMS, etc);
  • Iniciativas ecológicas para a preservação do planeta Terra;
  • O desarmamento gradual;
  • A formação de grandes blocos regionais, como por exemplo a União Europeia, representando a semente do que será, no futuro, a formação do Estado Mundial.

É importante conhecer e pesquisar a interassistência. Contudo, mais importante ainda é colocar esse conhecimento em prática. Quando observamos a maneira de agir de uma consciência, a qual se destaca em áreas nas quais temos dificuldades, aprendemos através de seu exemplo. O mesmo se passa com consciências que aprendem através de alguma característica nossa que se destaque das demais. Aprendemos inclusive através dos erros de outras consciências e dos erros que nós mesmos cometemos. O exemplo pessoal, seja qual for, possui uma influência muito grande no processo de aprendizagem. Vale lembrar também que muitas vezes um exemplo diz mais do que muitas palavras. Pode-se conhecer muitas teorias mas nada se equipara ao conhecimento vivido. Um exemplo dado por uma consciência que possui experiência no que faz é mais fácil de ser assimilado do que teorias soltas sem conexão com o interlocutor. E se o exemplo é cosmoético, pode ser muito esclarecedor e benéfico para outras consciências. O Princípio do Exemplarismo Pessoal é a condição evoluída na qual a consciência vive dando exemplos de maturidade consciencial em todas as áreas de manifestações pensênicas, própria da conscin autolúcida quanto à inteligência evolutiva e à cosmoética. Você se recorda de exemplos positivos que tenha aprendido a partir das atitudes de outras consciências? E você já foi protagonista de algum exemplarismo cosmoético?

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